Ventilação
eÌ o movimento do ar dentro de um preÌdio e entre uma edificação e o exterior. O controle da ventilação eÌ uma das preocupações mais sutis e, ao mesmo tempo, mais importantes do projetista de uma edificação. A questão eÌ como fazer o ar se deslocar em uma edificação de modo a satisfazer, e ateÌ mesmo a encantar, o usuaÌrio.
Naturalmente, haÌ uma solução simples – utilizar um ventilador –, mas essa pode ser uma resposta barulhenta e cara e não eÌ a primeira opção para uma ecohouse, na qual sistemas mecaÌ‚nicos devem ser utilizados apenas em uÌltimo caso.
Então, como o ar se move sem o auxiÌlio de um ventilador?
Na verdade, o ar se move com muita facilidade e sempre sob um gradiente de pressão. A pressão positiva ocorre a barlavento de uma edificação contra o qual o ar eÌ impelido com alguma força. A pressão negativa ocorre a sota-vento de uma edificação, na aÌrea protegida dos ventos, e succiona o ar para fora da edificação.
O truque eÌ criar tais diferenças de pressão. Isso pode ser alcançado de duas maneiras:
- usando diferenças de pressão em torno da edificação causadas pelo vento;
- usando diferenças de pressão geradas pelas variações de pressão dentro da casa. O ar quente eÌ menos denso do que o ar frio assim, as variações de pressão que fazem as massas de ar quente subirem tambeÌm fazem as massas de ar frio descerem. Isso eÌ chamado de “efeito chamineÌ” e pode ser empregado para ventilar um espaço. TambeÌm pode criar um conflito com a ventilação cruzada causada pelo vento.
O uso da pressão para ventilar eÌ comum, particularmente se uma casa fica em locais que recebem muitos ventos. HaÌ muitos desafios em projetar adequadamente para a ventilação, como a variabilidade do vento quanto aÌ€ sua velocidade e direção, mas, se cuidadosamente trabalhando e entendido, este processo pode ser realmente beneÌfico ao clima interno de uma casa na maior parte do tempo.
Vento e ventilação não são a mesma coisa. O vento eÌ muito variaÌvel e pode se apresentar sob formas diversas. Em 1841, Charles Dickens escreveu sobre o vento na obra Barnaby Rudge:
um som de lamentação corria, fazendo as paredes tremerem como se houvesse a mão de um gigante sobre elas; depois um rugido rouco, como se o mar houvesse se erguido; depois veio um redemoinho e um tumulto tão fortes que o ar parecia louco; e então um uivo prolongado e as ondas de vento verteram laÌgrimas.
Observe como a descrição do vento feita por Dickens difere daquela de Longfellow, em seu poema Outono, de 1893:
O vento suave, um doce e apaixonado galanteador, beija a folha, que ruboriza.
O vento pode ser um agente do terror ou do prazer, pode acariciar ou destruir, e eÌ um dos mais importantes entre os blocos construtivos invisiÌveis da arquitetura. Este capiÌtulo começa considerando o vento e seu uso em uma edificação para uma forma e um terreno determinados. Depois, descreve- remos como e por que aproveitar o ar ao maÌximo nas edificações. Por fim, haÌ uma seção sobre como proteger uma casa contra ventos fortes, como aqueles resultantes de furacões e ciclones. Um dos principais impactos resultantes do aquecimento global durante a uÌltima deÌcada do seÌculo XX foi o aumento das velocidades dos ventos e dos danos causados em muitos paiÌses (Headley, 2000). Não temos como prever de que modo negativo as mudanças climaÌticas nos afetarão, mas, de qualquer forma, aproveitamos esta oportunidade para comentar a importância de um para ambientes com ventos extremos.
Para ventilar bem uma casa, primeiro voceÌ‚ deve desenvolver um relacionamento com o vento. Para isso, voceÌ‚ precisa entender o clima local e regional no qual o terreno se insere e a forma e o entorno do terreno e da edificação. TambeÌm são fatores cruciais os usuaÌrios da edificação e suas necessidades de conforto.
O Nome dos Ventos
Cada região ou localidade do mundo tem seus proÌprios ventos. Antigamente, os construtores sabiam o nome de cada vento, suas peculiaridades e seu potencial beneÌfico ou prejudicial. Na verdade, um uÌnico vento geralmente tem dois ou treÌ‚s nomes. Um nome pode denotar a direção da qual o vento vem, a parte do dia no qual ele chega ou o nome da cidade, região ou paiÌs do qual ele sopra. Outro talvez se refira aÌ€ qualidade do vento, ou seja, se ele eÌ frio, quente ou uÌmido. Se for muito importante na região, poderaÌ ter seu proÌprio nome imponente, como Mistral ou Sirocco, palavras que em muitos paiÌses evocam imagens de um caraÌter eoÌlico especial daquele vento especiÌfico.
Na região sul do Brasil existe um vento com nome conhecido por todos, o Minuano, trata-se de um vento frio, de origem polar, com orientação sudoeste, algumas vezes classificado como cortante. Ocorre após a passagem das frentes frias de outono e inverno, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, geralmente após as chuvas. Seu nome deriva dos Minuanos, povo indígena que habitava os campos no sul do estado do Rio Grande do Sul.
As condições geograÌficas locais teÌ‚m grande influeÌ‚ncia sobre os ventos locais. Em NaÌpoles, o vento frio Tramontana desce das montanhas a norte e a leste da cidade, levando o ar quente das longas ruas em direção ao mar. AÌ€ medida que a terra e a cidade se aquecem nas tardes de verão, o mar fresco envia brisas pelas mesmas ruas, mas no sentido contraÌrio, substituindo o ar quente que sobe.
Para cada terreno e aÌrea, os projetistas devem ter uma ideia clara de que ventos existem, quais gostariam de utilizar para aquecer ou esfriar suas edificações e quais gostariam de barrar, por serem muito quentes ou frios. Isso se consegue olhando para uma rosa-dos-ventos, que mostra os ventos dominantes em cada uma das diferentes direções a cada meÌ‚s ou ano. Ela, no entanto, não lhe diraÌ as propriedades daquele vento; para isso, eÌ necessaÌria uma anaÌlise geograÌfica da região. Pode ser mais faÌcil perguntar a um construtor local sobre os ventos que existem na aÌrea.
Padrões de ocupação tradicionais podem revelar muito sobre o vento. A forma como as edificações são dispostas em um conjunto urbano indicarão se o vento eÌ bem-vindo dentro dos preÌdios ou não.
Um arranjo no qual as edificações são deslocadas entre si significa que elas foram distribuiÌdas de modo a garantir que cada casa receba um pouco do vento, como ocorre nos grandes coletores de ento da cidade de Yazd, no deserto central do Irã, mostrados abaixo. JaÌ os padrões lineares indicam que uma edificação eÌ utilizada para proteger a edificação seguinte contra os ventos indesejaÌveis e irão mostrar de que direção os ventos indesejaÌveis veÌ‚m.

Ar fresco
A necessidade de ar fresco varia desde as quantidades nominais necessaÌrias para a respiração (2 ls–1) ateÌ as taxas de ventilação muito maiores necessaÌrias para o controle de odores (ateÌ 16–32 ls–1 eÌ um valor comum de ar fresco necessaÌrio para mitigar os efeitos de odores provocados pelo fumo). Em habitações, deve-se tomar o cuidado de prever zonas para fumantes nas quais seja possiÌvel abrir uma janela para evitar o cheiro do cigarro. Naturalmente, isso eÌ mais faÌcil de falar do que de poÌ‚r em praÌtica. Alguns estudos demonstram que as casas com fumantes teÌ‚m consumo de energia para calefação e refrigeração significativamente maior, uma vez que as janelas ficam continuamente abertas para se livrar dos odores. Isso deve ser levado em consideração, e o problema pode ser parcialmente resolvido por meio de um zoneamento sensato.
O modo como um coÌ‚modo eÌ mobiliado e decorado afetaraÌ a persisteÌ‚ncia ou não dos odores, uma vez que forrações e tecidos macios de cortinas ficam mais facilmente impregnadas. Diferentes atividades na casa podem ser associadas a diferentes niÌveis de odores, assim, os acabamentos podem ser escolhidos de forma adequada. A necessidade de ar fresco pode ser fortemente afetada pelos aca- bamentos escolhidos para cada coÌ‚modo. Deve-se observar que as normas para a edificação, em geral, não são feitas com o intuito de mitigar o impacto dos odores ou a transmissão de doenças pelo ar. Não eÌ possiÌvel fazer normas contra as doenças transmitidas pelo ar, embora muitos dispositivos legais que tratam da qualidade do ar dentro das edificações estejam evoluindo para lidar com os riscos da condensação, que teÌ‚m implicações indiretas na sauÌde.

O ar fresco tambeÌm eÌ necessaÌrio para evitar o acuÌmulo de umidade em um recinto. Isso eÌ oÌbvio em cozinhas, banheiros e lavanderias, mas tambeÌm pode haver um acuÌmulo real de umidade nos dormitoÌrios.
HaÌ seis maneiras de projetar de modo a evitar o problema da umidade em uma moradia:
- Projete as zonas uÌmidas da casa fora do conjunto principal das zonas social e iÌntima. Construa um vestiÌbulo, uma varanda frontal ou uma antecaÌ‚mara em que a temperatura do ar do exterior possa ser modificada (aumentada ou reduzida) antes que ele entre na casa. Todas as roupas e os calçados uÌmidos podem ser deixados nesse local, de modo que uma grande parte da umidade fique fora da casa nos dias mais uÌmidos.
- Construa uma aÌrea de varal externa, onde roupas e toalhas uÌmidas possam ser deixadas fora do corpo principal da casa nos dias de inverno. Roupas molhadas são uma das principais fontes de umidade excessiva no inverno.
- Construa uma janela alta para ventilação, sobre o fogão, que possa ser facilmente aberta para remover imediatamente o ar quente e uÌmido que eÌ produzido ao cozinhar. Uma boa janela sem pontes teÌrmicas eÌ muito melhor do que um exaustor sobre o fogão, pois estruturas de metal que atravessam uma parede agem como grandes pontes teÌrmicas e provocam condensações na parede em um dos pontos mais uÌmidos da casa.
- Os banheiros devem ter uma janela que possa ser aberta apoÌs um banho ou uma ducha ou um duto de renovação de ar muito eficiente que possa remover o ar uÌmido do coÌ‚modo, podendo ou não contar com a ajuda de um pequeno ventilador.
- Evite criar pontes teÌrmicas nas paredes da casa.
- Os acabamentos das paredes devem ser escolhidos de modo a serem capazes de absorver alguma umidade. Sempre que possiÌvel, use nas paredes tintas orgaÌ‚nicas aÌ€ base d’aÌgua. Estas podem variar desde o uso da cal tradicional e de produtos naturais para madeira ateÌ o uso de tintas modernas e sofisticadas aÌ€ base d’aÌgua. Os acabamentos dos coÌ‚modos podem desempenhar um papel importante no controle da formação da umidade interna, assim como no controle dos odores.
EÌ necessaÌria uma abordagem baseada no bom senso para estimar a melhor estrateÌgia de ventilação a ser utilizada em cada edificação. Por exemplo, uma casa com grande volume interno e baixa taxa de ocupação com todas as caracteriÌsticas acima e paredes com grande ineÌrcia teÌrmica com reboco ou revestidas de madeira com acabamento natural pode, em determinados dias, receber o ar fresco necessaÌrio apenas com a abertura intermitente de portas para o ingresso das pessoas.
Por outro lado, um coÌ‚modo com pequena massa, pequeno volume, alto iÌndice de ocupação e acabamentos duros pode precisar de muito mais ventilação. Em uma casa bem projetada, mesmo com uma pequena massa, acabamentos duros e ocupação normal, mas em que o problema da umidade foi transferido do interior da casa para uma zona uÌmida, a maioria dos problemas referentes aÌ€ qualidade do ar iraÌ desaparecer quando a taxa de renovação de ar (TRA) for de 0,2 trocas de ar/h. Isso significa que um quinto do ar de um coÌ‚modo eÌ trocado a cada hora. O controle da umidade pode ser alcançado com uma taxa de 0,3 trocas de ar/h ou mais (Marshall e Argue, 1981). Na verdade, esse niÌvel de trocas de ar pode ser alcançado, praticamente, apenas com a abertura eventual das portas. Em muitas ha- bitações, as taxas de infiltração de ar atraveÌs da edificação serão dessa ordem. Robert e Brenda Vale consideram aceitaÌvel uma taxa de renovação de ar em torno de 0,45 trocas de ar/h, poreÌm, mais uma vez, haÌ poucos motivos para não projetar empregando os niÌveis mais baixos (Vale e Vale, 2000). Devemos tomar cuidado com casas nas quais possam existir problemas com o radoÌ‚nio ou o monoÌxido de carbono emitido por lareiras.
Condensação
A condensação nas janelas é um fenômeno natural que, infelizmente não pode ser completamente evitado, mas algumas atitudes podem minimizar este transtorno.
A condensação ocorre quando o ar quente e úmido encontra uma superfície fria como o vidro, ou até mesmo as paredes, dependendo de sua composição, a mudança de temperatura faz com que a umidade se condense na superfície em forma de gotículas de água. As temperaturas mais frias durante os meses de inverno juntamente com as temperaturas aquecidas no interior dos ambientes dão origem a maior frequência na ocorrência de condensação.
Embora a umidade em si não seja prejudicial, não é agradável e pode danificar as janelas, paredes e cortinas por exemplo. A condensação ao escorrer pode ajudar ao aumento de mofo, e a contínua acumulação de água diminui a vida útil dos materiais. A condensação é também resultado de uma atmosfera úmida que por si só não é saudável e pode agravar problemas respiratórios, alergias e outras doenças.
A chave para evitar a condensação é o controle da umidade e da temperatura. O nível ideal de umidade ideal é entre 40-50%, quando a temperatura do ar é de 20º C. Se a condensação começar a ser um problema, tente o seguinte:

Aumentar a ventilação É necessário renovar o ar quente e úmido com ar seco dentro dos ambientes, entre 5 a 10 minutos, várias vezes ao dia. Certifique-se que a casa é arejada uniformemente – não abra apenas as janelas da cozinha ou do banheiro, pois isso vai apenas mover o ar com maior umidade pela casa em vez de o levar para fora. Areje a sua casa, mesmo se estiver chovendo - o ar quente interior ainda vai reter mais umidade que o ar exterior frio.
Respiro de ventilação: Se as suas Janelas de PVC têm grelhas de ventilação – que podem opcionalmente ser colocadas no marco - deve mantê-las abertas todo o dia.
Ventilar bem quando estiver cozinhando e tomando banho: Se tem um exaustor na cozinha, deve liga logo que comece a cozinhar mantê-lo a funcionando entre 10 a 15 minutos depois de ter acabado a fim de eliminar o máximo de umidade gerada pelos alimentos.
Evite secar roupas no interior dos ambientes, se usar a secadora de roupa, verifique se o ar quente é libertado para o exterior, pois ele é muito úmido.
Pessoas, animais e plantas de casa: Todos os seres vivos dentro de um ambiente aumentam a umidade total; por exemplo, um adulto produz cerca de dois litros de vapor de água por dia. A ventilação deve levar em consideração o número de pessoas, animais e plantas domésticas que ocupam os ambientes.
Temperaturas noturnas baixas e cômodos sem aquecimento: O ar frio não contém tanta umidade como o ar quente, por isso, se as temperaturas diminuem - quando o aquecimento é desligado - então o arrefecimento do ar irá depositar a umidade, razão pela qual a condensação da manhã é mais comum.
Uma casa vazia: Se a sua casa foi desocupada por um determinado período de tempo (por exemplo, durante as férias), as paredes, móveis, tapetes e assim por diante terão absorvido umidade, enquanto a casa não foi aquecida, especialmente se o tempo estava úmido neste período. Durante 10 dias após o seu regresso, tente manter as janelas abertas.
Evite colocar plantas próximas as janelas, elas produzem umidade maior nesta posição.

Obras recentes: O gesso novo, cimento, e pinturas contêm uma grande quantidade de umidade que leva tempo para evaporar completamente – podendo chegar em alguns casos até a um ano.
Início do Inverno: A condensação é pior quando passamos do Outono para o Inverno. As temperaturas começam a cair, especialmente durante a noite, e o aquecimento é ligado dentro de casa. A estrutura do edifício, aquecida durante todo o Verão, é relativamente fria, mas como ela aquece emite umidade para o ar.
Aquecimento no chão: A condensação pode ocorrer se você instalou recentemente os radiadores com piso radiante, pelo fato de criar uma subida e circulação de ar quente. Isto, pode ser agravado se ocorreu a remoção dos radiadores debaixo das janelas.
Soleiras largas ou cortinas novas, mais grossas, então o calor próximo dos radiadores pode não ser capaz de alcançar e aquecer o vidro, incentivando assim a condensação.
Porém se a condensação for pelo exterior das suas janelas, não tem com que se preocupar e demonstra as excelentes propriedades de isolamento da sua janela de PVC.
Mas fique atento, se ocorrer condensação entre os panos de vidro, isso significa que a vedação do vidro duplo está violada, e a umidade entrou na câmara do vidro. As propriedades isolantes da janela não estão necessariamente comprometidas, mas a película fina cinzenta resultante da condensação impede a luz de entrar e não lhe permite a visão de forma adequada. Verifique a garantia do fabricante da sua janela, e do seu vidro, em geral vidros duplos tem garantia de 5 anos, mas verifique se o termo cita condensação interna.

